Consumo e eficiência energética são os desafios da indústria para 2015

05-01-2015 |

Consumo e eficiência energética são os desafios da indústria para 2015

O setor industrial consumiu mais de um milhão de GWh em seis anos, contra 657 mil GWh das residências

O setor industrial é o que mais consome eletricidade no Brasil, e também o mais preocupado com a redução do custo do insumo, que reflete diretamente no preço das mercadorias produzidas e, portanto, compromete a competitividade. Por isso, apesar do consumo de mais de um milhão de GWh em seis anos, contra 657 mil GWh das residências, conforme o levantamento da Abesco, o desperdício foi de apenas 6,2% em seis anos, ante os mais de 15% da economia potencial dos consumidores residenciais.

Para ajudar as federações e fábricas brasileiras, diante do desarranjo do setor elétrico e das tarifas em elevação, a Confederação Nacional da Indústria (CNI) produziu, este ano, uma cartilha com várias dicas de como ampliar a eficiência energética dos processos. Entre elas, a possível economia de motores elétricos, sistemas de refrigeração, ar-comprimido e de iluminação, itens que representam mais de 50% dos custos com energia na indústria.

Convidado para participar do Conselho de Políticas Industriais da CNI e sugerir alternativas para a redução do consumo, o presidente do Instituto para o Desenvolvimento de Energia Alternativas (Ideal), Mauro Passos, apresentou a possibilidade de mitigar os gastos com a implementação de painéis fotovoltaicos e minigeração eólica nos parques fabris. “O País tem um potencial solar e de ventos muito grande. No caso solar a economia não tem limite porque depende do tamanho dos painéis instalados. Há empresas que podem cobrir todo o telhado e áreas de estacionamento e, com isso, ficar autossuficientes. O aquecimento de água com energia solar é aplicável ao processo industrial para produzir vapor”, ressalta.

Os painéis solares são, ainda, uma boa solução para residências e estabelecimentos comerciais, garante Passos. “A taxa de retorno depende do local, para avaliar a relação entre a insolação e o custo da tarifa. No caso de Uberlândia, em Minas Gerais, por exemplo, onde há excelente incidência de sol e as tarifas são caras, o retorno do investimento ocorre em cinco anos. Sendo que os equipamentos têm vida útil de 25 anos, o que assegura duas décadas de lucro”, calcula. Passos revela que, para uma casa de classe média, o investimento inicial fica entre R$10 mil e R$15 mil.

Impacto represado 

Se tudo que o que impactou no setor elétrico em 2014 tivesse sido aplicado para os consumidores, a alta das tarifas teria chegado a 43% este ano. O alerta é do presidente do Instituto Acende Brasil, Claudio Sales. Ele revela que os empréstimos de bancos às distribuidoras e os aportes do Tesouro empurraram essa fatura para os próximos anos. Por isso, as perspectivas para 2015 são de aumentos elevados. “O setor continua financeiramente desmantelado”, assinala. Um racionamento não está totalmente descartado, mas isso vai depender do regime de chuvas do período úmido, se será capaz de recompor os reservatórios, hoje em níveis críticos.

Créditos: Jornal da Instalação